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Tudo que você precisa saber sobre vedações sanitárias: guia completo TC, RJT e SMS

  • plasved
  • 11 de jun.
  • 8 min de leitura

Quem trabalha com processos que exigem higienização rigorosa sabe que a vedação sanitária não é um detalhe — ela é parte crítica da integridade do produto. Uma vedação com material inadequado, dimensão errada ou instalação incorreta pode contaminar um lote inteiro, comprometer a certificação sanitária da linha ou gerar paradas não planejadas em momentos de alta produção.

O mercado oferece diferentes padrões de conexão sanitária — TC (Tri-Clamp), RJT e SMS — e cada um tem características técnicas, dimensionais e de aplicação específicas. Especificar o padrão errado significa incompatibilidade de montagem, risco de contaminação e retrabalho.

Este é o guia completo sobre vedações sanitárias — do conceito à especificação técnica — para compradores e equipes de manutenção que precisam entender, comprar e gerir esses componentes com segurança e eficiência.


Vedações sanitárias TC, SMS, RJT e vávula borboleta

O que são vedações sanitárias e por que elas importam

Vedações sanitárias são anéis de vedação desenvolvidos especificamente para conexões e tubulações em processos que exigem higiene, limpeza e ausência de contaminação. Diferente das vedações industriais convencionais, elas são fabricadas com materiais atóxicos, resistentes a produtos de limpeza agressivos (CIP — Clean In Place) e aprovados para contato com alimentos, medicamentos ou cosméticos.

Sua função é vedar a junção entre dois componentes de tubulação ou equipamento — bombas, válvulas, trocadores de calor, misturadores, tanques — sem deixar frestas onde resíduos possam se acumular e gerar focos de contaminação microbiana.

Os três padrões mais utilizados na indústria brasileira são:

  • TC (Tri-Clamp) — padrão americano, o mais difundido globalmente

  • RJT — padrão britânico, muito comum em laticínios e cervejarias

  • SMS — padrão sueco/europeu, amplamente adotado na indústria alimentícia e farmacêutica

Cada padrão tem geometria de face, dimensões e normas específicas. Não são intercambiáveis entre si.


Padrão TC — Tri-Clamp: o mais utilizado no mundo


O que é

O padrão TC (também chamado de Tri-Clamp, Tri-Clover ou DIN 32676) é o padrão de conexão sanitária mais difundido globalmente. Utiliza um grampo de três pontas (clamp) que pressiona duas flanges contra um anel de vedação central, formando uma junta estanque e de fácil desmontagem.


Aplicações

  • Indústria alimentícia e de bebidas (sucos, cervejas, laticínios, molhos)

  • Indústria farmacêutica e biotecnológica

  • Indústria cosmética

  • Processos com CIP/SIP (limpeza e esterilização no lugar)

  • Sistemas de transferência de fluidos viscosos


Características técnicas

  • Norma de referência: DIN 32676 / ISO 2852

  • Diâmetros disponíveis: 1/2" a 4" (polegadas) — os mais comuns são 1", 1.5" e 2"

  • Pressão de trabalho: até 10 bar dependendo do diâmetro e material

  • Temperatura: varia conforme o material da vedação (ver tabela abaixo)

  • Desmontagem: rápida, sem ferramentas especiais — ideal para processos com limpeza frequente


Materiais disponíveis para a vedação TC

Material

Temperatura

Indicado para

EPDM

-40°C a +150°C

Água, vapor, ácidos diluídos, produtos de limpeza alcalinos

Silicone

-60°C a +200°C

Alimentos, farmacêutico, altas temperaturas

NBR

-40°C a +120°C

Óleos, gorduras animais e vegetais

Viton (FKM)

-20°C a +200°C

Solventes, ácidos concentrados, química agressiva

Quando especificar TC

Especifique TC quando a sua linha já utiliza conexões com flanges Tri-Clamp ou quando o equipamento (bomba, válvula, misturador) é fornecido com esse padrão. É o padrão mais fácil de encontrar no mercado brasileiro e com maior variedade de fornecedores de componentes complementares.


Padrão RJT: tradicional em laticínios e cervejarias


O que é

O padrão RJT (também chamado de BS 4825 Part 4) é de origem britânica e amplamente utilizado em laticínios, cervejarias e indústrias de bebidas no Brasil e na Europa. Sua conexão utiliza uma porca de união com rosca interna que pressiona as duas extremidades contra a vedação.


Aplicações

  • Laticínios (leite, queijo, iogurte, manteiga)

  • Cervejarias e destilarias

  • Indústria de sucos e concentrados

  • Processamento de ovos e derivados


Características técnicas

  • Norma de referência: BS 4825 Part 4

  • Diâmetros disponíveis: 3/4" a 4"

  • Conexão: porca de union com rosca — mais robusta para aplicações com vibração

  • Pressão de trabalho: até 6 bar

  • Temperatura: varia conforme o material da vedação


Materiais disponíveis para a vedação RJT

Material

Temperatura

Indicado para

EPDM

-40°C a +150°C

Laticínios, cervejarias, produtos alcalinos

Silicone

-60°C a +200°C

Alta temperatura, contato direto com alimento

NBR

-40°C a +120°C

Óleos e gorduras

Viton (FKM)

-20°C a +200°C

Produtos ácidos e solventes

Quando especificar RJT

Especifique RJT quando a sua planta opera com tubulação no padrão britânico — muito comum em equipamentos importados do Reino Unido e em plantas de laticínios instaladas há mais de 15 anos no Brasil. Verifique o padrão da porca de union antes de comprar: RJT e SMS têm aparência similar mas são incompatíveis dimensionalmente.


Padrão SMS: o padrão europeu de alta precisão


O que é

O padrão SMS (Svenska Mejeriernas Riksförening — Associação Sueca de Laticínios) é de origem escandinava e tornou-se referência em processos de alta exigência higiênica na Europa e no Brasil. Muito similar ao RJT visualmente, mas com dimensões e geometria de face diferentes — não são intercambiáveis.


Aplicações

  • Indústria farmacêutica e biotecnológica

  • Indústria alimentícia de alta exigência

  • Laticínios com equipamentos europeus

  • Cosmética e higiene pessoal

  • Processos assépticos


Características técnicas

  • Norma de referência: SMS 1145

  • Diâmetros disponíveis: 3/4" a 4" (polegadas) — os mais comuns são 1", 1.5" e 2"

  • Conexão: porca de union com rosca — geometria de face diferente do RJT

  • Pressão de trabalho: até 6 bar

  • Temperatura: varia conforme o material da vedação


Materiais disponíveis para a vedação SMS

Material

Temperatura

Indicado para

EPDM

-40°C a +150°C

Processos com CIP, vapor, produtos alcalinos

Silicone

-60°C a +200°C

Farmacêutico, asséptico, alta temperatura

NBR

-40°C a +120°C

Óleos e gorduras vegetais/animais

Viton (FKM)

-20°C a +200°C

Química agressiva, solventes


Quando especificar SMS

Especifique SMS quando os equipamentos da sua linha são de origem europeia (especialmente escandinavos, alemães ou italianos) e utilizam porca de union nesse padrão. Em caso de dúvida entre RJT e SMS, meça o diâmetro externo da porca e da face de vedação — as diferenças dimensionais são pequenas mas determinantes para a estanqueidade. Ambos os padrões trabalham com medidas em polegadas, o que torna a confusão ainda mais comum no momento da compra.


Como escolher o material certo: EPDM, Silicone, NBR ou Viton

A escolha do padrão de conexão (TC, RJT ou SMS) é definida pelo equipamento. Mas a escolha do material da vedação é definida pela aplicação — e esse é o ponto onde mais ocorrem erros de especificação.


EPDM — o mais versátil para processos sanitários

O EPDM é o material mais utilizado em vedações sanitárias no Brasil. Atóxico, aprovado para contato com alimentos e resistente a uma ampla gama de produtos de limpeza CIP (soda cáustica, ácido peracético, ácido nítrico diluído), é a escolha padrão para a maioria das aplicações em alimentos, bebidas e laticínios.

Use EPDM quando: o processo envolve água, vapor, soluções aquosas, ácidos diluídos e produtos de limpeza alcalinos.

Evite EPDM quando: há contato com óleos, gorduras concentradas ou solventes orgânicos.


Silicone — para alta temperatura e contato direto com alimento

O Silicone é atóxico, inodoro e incolor — ideal para processos onde o contato direto com o produto final é crítico (farmacêutico, nutracêutico, bebidas premium). Suporta temperaturas mais altas que o EPDM e é aprovado para esterilização por vapor (SIP).

Use Silicone quando: a temperatura do processo é elevada, há necessidade de esterilização frequente por vapor, ou o produto é altamente sensível a contaminação por odor ou cor.

Evite Silicone quando: há contato com óleos de silicone, solventes aromáticos ou abrasão mecânica intensa — o silicone tem menor resistência mecânica que o EPDM.


NBR — para gorduras e óleos

O NBR (borracha nitrílica) é o material padrão para aplicações com óleos minerais, gorduras animais e vegetais. Em processos alimentícios com alto teor de gordura — manteiga, banha, óleos comestíveis — o NBR oferece resistência superior ao EPDM e ao Silicone.

Use NBR quando: o produto contém óleo ou gordura em concentração significativa.

Evite NBR quando: o processo usa produtos de limpeza à base de solventes, ozônio ou fluidos sintéticos.


Viton (FKM) — para química agressiva

O Viton é a escolha para aplicações severas: ácidos concentrados, solventes orgânicos, temperaturas elevadas combinadas com química agressiva. Na indústria farmacêutica e cosmética, é frequentemente especificado para processos com álcool isopropílico, solventes de extração e ácidos orgânicos concentrados.

Use Viton quando: o processo envolve solventes, ácidos concentrados ou temperaturas acima de 150°C com química agressiva.

Atenção: Viton tem custo mais elevado. Em aplicações onde EPDM atende tecnicamente, a troca para Viton não agrega valor — apenas custo.


Erros mais comuns na especificação de vedações sanitárias


1. Confundir RJT com SMS

São visualmente parecidos, mas dimensionalmente diferentes. Uma vedação SMS montada em uma conexão RJT vai parecer encaixar — mas não vai vedar corretamente, gerando micro-vazamentos e risco de contaminação.

2. Usar NBR em processos com CIP alcalino

Produtos de limpeza à base de soda cáustica degradam o NBR rapidamente. O resultado é uma vedação que aparentemente está intacta mas perdeu as propriedades mecânicas — e falha sem aviso.

3. Não considerar a temperatura do produto de limpeza

A temperatura do CIP muitas vezes é maior do que a temperatura do processo. Uma vedação que aguenta o produto a 70°C pode não aguentar o ciclo de limpeza a 90°C com soda. Sempre especifique considerando a temperatura máxima do processo E da limpeza.

4. Comprar pela medida nominal sem confirmar a geometria

TC, RJT e SMS trabalham todos com medidas em polegadas — mas a geometria de face de cada padrão é diferente. Uma vedação 1.1/2" RJT e uma 1.1/2" SMS têm a mesma medida nominal mas não são intercambiáveis. Sempre confirme o diâmetro interno, externo e a espessura antes de comprar — ou envie uma amostra para o fornecedor fabricar por cópia.

5. Não manter estoque mínimo

Vedações sanitárias são componentes de desgaste. Em linhas de alta produção, a troca preventiva deve ser programada. Não ter estoque mínimo significa parada emergencial quando a vedação falha durante a produção.


Vedações sanitárias para válvulas borboleta

Além das vedações de conexão (TC, RJT e SMS), as válvulas borboleta sanitárias utilizam um tipo específico de vedação — o seat ou assento — que funciona como vedante entre o disco da válvula e o corpo.

Esse componente é crítico para o funcionamento da válvula e deve ser especificado com o mesmo rigor técnico das vedações de conexão:

  • Material: EPDM (padrão), Silicone (alta temperatura), NBR (gorduras), Viton (química)

  • Dimensão: deve ser especificada pelo diâmetro nominal da válvula (DN25 a DN200)

  • Frequência de troca: depende da frequência de abertura/fechamento e da agressividade do fluido

A Plasved fabrica assentos para válvulas borboleta sanitárias sob medida, para os principais fabricantes e modelos do mercado.


Plasved: vedações sanitárias com qualidade técnica e pronta entrega

A Plasved é especializada na fabricação de vedações industriais e sanitárias, com atendimento técnico especializado para compradores e equipes de manutenção de plantas industriais.

Nosso portfólio de vedações sanitárias inclui:

  • Anéis de vedação TC (Tri-Clamp) — padrão DIN 32676 / ISO 2852

  • Anéis de vedação RJT — padrão BS 4825

  • Anéis de vedação SMS — padrão SMS 1145

  • Vedações para válvulas borboleta sanitárias

  • Fabricação sob medida por desenho, amostra ou especificação técnica

Materiais disponíveis: EPDM, Silicone, NBR e Viton (FKM)

Atendemos indústrias alimentícias, farmacêuticas, cosméticas, de bebidas e laticínios em Sorocaba/SP e região.



Conclusão

Especificar a vedação sanitária correta não é burocracia técnica — é prevenção de contaminação, garantia de processo e economia real. O custo de uma vedação errada raramente aparece no preço da peça: ele aparece no lote contaminado, na linha parada, no retrabalho de manutenção.

Conhecer as diferenças entre TC, RJT e SMS — e saber quando usar EPDM, Silicone, NBR ou Viton — é o primeiro passo para uma gestão de manutenção sanitária mais eficiente e menos reativa.

Se precisar de suporte técnico para especificar a vedação certa para a sua aplicação, a equipe da Plasved está disponível para ajudar.


A Plasved está localizada em Sorocaba/SP e atende indústrias em toda a região com vedações sanitárias, vedações industriais e peças técnicas sob medida.

 
 
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